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Delícia, delícia, assim você me mata! Já ouviu isso? Pois então, no programa da semana vamos falar de AI SE EU TE PEGO, o fenômeno musical que toma conta do mundo. Mas não só dele. De música em geral, com análises de quem está (ou esteve) no mercado e sabe do que se passa nos bastidores. Na trilha sonora, a costumeira salada: Michel Teló, Cida Moreyra com o DJ Zé Pedro, João Gilberto e Milton Nascimento. João Gilberto com Michel Teló? Pois é, é o Café Brasil. Você é quem vai decidir se deu liga... Apresentação de Luciano Pires.
Bom dia, boa tarde, boa noite. O programa da semana começa falando de .........entrou uma música...............Lalá, Lalá!!! Diminue o rádio da Ciça ai, pô! Que absurdo!
Para começar, uma frase do grande escritor português Eça de Queirós:
Amei essa mulher como Jesus amou Maria, como Romeu amou Julieta e ... como um bode ama a sua cabra!
E o exemplar do meu livro NÓIS...QUI INVERTEMO AS COISA desta semana vai para o Daniel, lá de Primavera do Leste no Mato Grosso, que comentou assim o programa Vulgarizaram a Vulgaridade:
“E ai Luciano! Muito obrigado por visitar a minha vila com seu caminhão pipa do conhecimento. Eu, mais uns amigos meus e parte do pessoal, já formamos a fila, cada um com sua bacia plástica, outros com baldes de alumínio e até galões, para receber desta água que você traz. Pena que nem todos estão aqui nessa fila.
O negócio é por fogo nessa chapa e ver “neguim” pular! Pois “nenhuma situação é tão ruim que não possa piorar” e nenhuma pessoa é tão desinteressada que não possa melhorar, o negócio é mudar os conceitos.”
Muito bem, Daniel, gostei do lance do caminhão pipa! O Daniel comentou um programa e ganhou um livro. Comente você também!
Então... 2012 começou com essa musiquinha, que nasceu lá em Porto Seguro quando a cantora Sharon Acioly, filha de americano e que viveu em Nova York e Los Angeles, era coordenadora de palco do Axé Moi, um grande complexo de lazer na cidade de Porto Seguro, na Bahia. Foi lá que ela criou um outro hit, aquele do “cada um no seu quadrado”, lembra?
Dança do Quadrado
-Aí galera!
Tô chegando
Com a dança do quadrado!
Pegue seu quadrado
E quem pisar na linha
Vai pagar prenda, hein?
Vamos juntos!"
Cada um no seu quadrado! (8x)
Eu disse ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Saci no seu quadrado! (4x)
Saci com giratória! (4x)
Claudinho e Buchecha no seu quadrado! (4x)
Claudinho e Buchecha com giratória! (4x)
Cowboy no seu quadrado! (4x)
Matrix no seu quadrado! (4x)
Robinho no seu quadrado! (4x)
Dança bonito, Dança bonito
Dança bonito
Vai, vai!
"-Agora nós vamos malhar!"
Polichinelo no seu quadrado! (4x)
Flexão no seu quadrado! (4x)
Bíceps no seu quadrado! (4x)
Eu disse ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
"-Agora nós vamos relembrar
O Pan do Rio de Janeiro!
Vamos lá!"
100 metros rasos no seu quadrado! (4x)
100 metros rasos com obstáculo! (4x)
Natação no seu quadrado! (4x)
Eu disse ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Vai paquito, vai paquito!
Vai paquito, vai paquito!
É, ele mostrou como é que é!
Eu disse ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
"-Vamos agora brincar
De imitar os bichinhos!"
Macaquinho no seu quadrado! (4x)
Gaivota no seu quadrado! (4x)
Siri no seu quadrado! (4x)
Eu disse ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Cicarelli no seu quadrado! (4x)
Sol no seu quadrado! (4x)
Patinete no seu quadrado! (4x)
Eu disse ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
"-Agora prestem atenção
O quadrado do lado
É o quadrado do inimigo!
Atenção, atenção!"
Zidane no inimigo! (4x)
Empurra o inimigo! (4x)
Pedala no inimigo! (4x)
Beijinho no inimigo! (4x)
"-Mas quem quiser dar selinho
Pode dar selinho também!"
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Vai paquito, vai paquito!
Vai paquito, vai paquito!
Vai paquito, vai paquito!
É, ele mostrou como é que é!
Eu disse ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
"-Valeu galera!
Não pisa na linha hein!
Fuuui!"
Sharon usava o refrão “ai se eu te pego” para motivar os turistas na platéia a brincar com os bailarinos. Em 2008, Antonio Dyggs, um promoter, professor e advogado baiano, em visita a Porto Seguro ouviu o refrão, gostou, criou mais uma estrofe e ... pronto. Estava composto o sucesso, que foi gravado por Meninos de Seu Zé, Cangaia de Jegue e Garota Safada.
No início de 2011, o cantor paranaense Michel Teló ouviu o Garota Safada cantar a música na abertura de um show seu em Cruz das Almas,na Bahia. Gostou e pronto. Taí o hit, já gravado por mais de 350 grupos.
Os jogadores Neymar e Cristiano Ronaldo deram sua mãozinha ao fazer a coreografia da dancinha após fazerem gols, o que levou a música a explodir em todo o mundo. Sharon e Dyggs não perderam tempo e compuseram a versão em inglês...
If I catch you
Wow, wow
You're going to kill me
Oh, if i catch you, oh oh if i catch you
Delicious delicious
You're going to kill me
Oh, if i catch you oh oh if i catch you
Saturday on the club
Everyone was dancing
And I saw the most beautiful girl
And I had the courage to say
Wow, wow
You're going to kill me
Oh, if i catch you oh oh if i catch you
Delicious, delicious
You're going to kill me
Oh, if i catch you oh oh if i catch you
O fato é que a música é um mega hit e logo será gravada por algum grande nome da música popular brasileira, quando deixará de ser brega. A gente já viu esse filme antes...
Aliás, lá vai a versão com a grande Cida Moreyra e o DJ Zé Pedro.
Ai, Se Eu Te Pego
Antonio Dyggs e Sharon Acioly
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai, se eu te pego,
Ai, ai, se eu te pego
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai, se eu te pego
Ai, ai, se eu te pego
Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai, se eu te pego
Ai, ai se eu te pego
Delícia, delicia
Assim você me mata
Ai, se eu te pego
Ai, ai, se eu te pego
Bem, mas é muito fácil entrar na onda e meter o pau na música, no cantor e em tudo mais.
Mas que tal ouvir uma outra opinião, de quem está dentro do mercado musical e conhece o produto? Fernando Mello, que há anos trabalha no meio musical e é mais conhecido como Maestro Billy. O Billy é um dos criadores do programa Pânico no rádio, aliás, colegão do Lalá Moreira e hoje tem um estúdio chamado Mellancia e é DJ do programa Caldeirão do Huck. O Billy tem também um podcast muito legal.
Ele escreveu em seu blog um texto sobre o Michel Teló, chamado A Medida do Sucesso, que vou mostrar aqui pra gente refletir um pouco...
E o Billy diz assim:
Não tenho aqui procuração de ninguém para defender nada, mas vamos pensar e avaliar um pouco o sucesso do Michel Teló e toda essa confusão de amor e ódio que criou o “Ai se eu te pego”.
Sim, sou amigo dele e de todo mundo que trabalha com ele, mas poderia simplesmente ficar na minha. Só acho que temos que entender o porquê das coisas serem como são.
Há aproximadamente um ano e meio atrás eu já cantei a bola de que ele seria sucesso nacional, que transcenderia o já sucesso na região do Sertanejo Universitário para o grande público com a “Fugidinha”.
Razões do sucesso:
Primeiro de tudo qualidade. Sim, qualidade.
O produto musical do Michel Teló é muito bem feito. É muito bem arranjado, bem cantado, com bons instrumentistas e com uma excelente produção.
É acima da média para o Sertanejo Universitário. Tem toques de forró, toques de guarânia, tem um monte de referências que os outros “concorrentes” não tem. Isso já é um diferencial que já coloca o Michel Teló à frente da concorrência.
Não tô aqui comparando uma “Nossa, nossa, assim você me mata” com um “é pau, é pedra, é o fim do caminho”.
Aquele papo de que o Teló representa a música nacional é verdade. Mas assim como ele, temos mais um monte de gente que também representa. Ivan Lins, Tom Jobim, Villa Lobos, Neguinho da Beija-Flor, Mr. Catra, Chico Buarque, Caetano Veloso, Tati Quebra-Barraco, Chitãozinho e Xororó, Gilberto Gil, Ivete Sangalo, Toquinho, Latino, Maria Gadú, Adriana Calcanhotto, Nando Reis, Titãs, Banda Calypso, The Fevers, Roupa Nova, Guilherme Arantes, É o Tchan!, Roberto Carlos, Nelson Ned, Belo, etc, etc, etc, etc, etc, etc.
A lista é gigante. Todos tem uma participação nisso.
Segundo quesito, trabalho.
Tudo que é feito pelo Michel Teló conta com uma equipe gigante por trás. Desde o empresário, passando pelo road manager, pelos músicos que o acompanham, pelo pessoal do escritório, do RP, da SomLivre (gravadora dele), etc, etc, etc. Todos tem um único foco. Fazer a carreira dele deslanchar. E isso vem desde os tempos do Grupo Tradição.
Que é o terceiro quesito, a história.
O cara faz isso desde 1995. Não está aí por acaso. Conhece o caminho das pedras e já roeu muito osso, mas o que se vê são só os filés…
O quarto quesito é o entendimento do mercado atual.
Muita coisa mudou desde que a Madonna ou o Michael Jackson faziam sucesso, eram mega-pop-stars. Sem comparar Madonna ou Michael Jackson com o Teló, por favor. Hoje em dia, com a internet, existe pouco espaço para esse tipo de artista, aquele que ultrapassa toda e qualquer barreira social e cultural. Isso acontecia por pura falta de opção da época.
Só tinhamos aquilo para idolatrar. Não tô aqui desmerecendo o trabalho da Madonna nem do Michael Jackson, não sou burro a este nível… Só tô dizendo que antigamente era tudo mais fácil para que isso acontecesse. As gravadoras tinham dinheiro e retorno do dinheiro com venda de CDs e afins, as rádios só tocavam os artistas que as gravadoras mandavam, só quem tinha muita grana fazia shows e turnês gigantes.
Ou seja, dinheiro chamava dinheiro. Hoje em dia mudou. Um cara é sucesso na internet para milhões de pessoas enquanto outros milhões nunca ouviram falar dele…
Veja o site do Teló. Ele entendeu como funciona hoje em dia. Ganhar dinheiro com venda de CD? Isso é passado. Tá tudo lá disponível para baixar. Pode acessar. www.micheltelo.com.br
Aproveita que você vai lá e vê a agenda de shows do cara. Aí sim tá o dinheiro, e a divulgação.
Resumindo. Michel Teló é sucesso porque a música é bem feita, gruda no ouvido, porque ele é um bom cantor, bom performer, o mercado precisa de artistas e músicas como essa, e um trabalho bem feito culmina com um resultado excelente. E, prá quebrar ainda mais, no mundo todo.
Ah, e se você discorda disso, acho ótimo. É só assim que a gente consegue ver um outro lado ou valorizar outras coisas.
Hummmm... Bom ponto esse do Billy, não é? Mas eu já entrei de sola achando que todo mundo conhece a música. Talvez não. Então vamos falar da letra da música, hein?
O Gabriel Perissé, que escreve nas Iscas Intelectuais do Portal Café Brasil fez uma análise comparativa muito interessante a respeito, que foi publicada nas Iscas Intelectuais do Portal Café Brasil.
Ao fundo vamos de GAROTA DE IPANEMA, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, na interpretação da Orquestra de Flautas, um orquestra formada por crianças da Vila Mapa, na periferia de Porto Alegre, uma iniciativa da Professora Cecilia Rheingantz Silveira que é de emocionar...
E o Gabriel Perissé diz assim:
Analiso a seguir a letra da canção “Ai se eu te pego”, interpretada por Michel Teló, sucesso nacional e internacional. Na primeira estrofe, temos...
Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar
Cada verso e cada palavra de Teló nos conduzem a universos paralelos da cultura. O primeiro verso faz menção ao “Porque hoje é sábado”, em que Vinícius de Moraes revê a criação do mundo.
A balada a que se refere Teló alude aquele antigo poema com que se narrava alguma tradição histórica, acompanhado ou não por instrumentos musicais. Ou àquela peça puramente instrumental como cultivavam Chopin, Brahms ou Lizst.
A supracitada galera (“turma”, “amigos”, “gente”) de Teló se equipara ao decassílabo “Vogo em minha galera ao som das harpas”, de um poema de Castro Alves.
Reportando-se de novo ao poetinha Vinícius de Moraes em “Garota de Ipanema”, Teló também contempla a menina linda que passa.
Mas Teló vai além. Em êxtase, tomado pela excitação poética, num ato de coragem extrema, o baladeiro se declara:
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
A dupla exclamação — “nossa, nossa” — nos remete à admiração de que falava Aristóteles como ponto de partida da reflexão filosófica, ou pode se tratar também de uma forma reduzida da interjeição “Nossa Senhora!”, inserindo o poema no amplo cenário (e não menor mercado) das composições religiosas.
Outra referência inconfundível é o locus poético em que amor e morte se encontram — o clássico “morrer de amor”. O verso “Assim você me mata”, que o cantor faz acompanhar com o abanar da mão em direção ao rosto (simulando morte por asfixia ou enfarte), equipara-se a momentos sublimes da poesia romântica de Gonçalves Dias ou Casimiro de Abreu. Há, entre outros exemplos, um soneto em que Camões, dirigindo-se ao Amor, com ele se queixa: “Que vida me darás se tu me matas?”
Aqui termina o poema de Teló, com uma concisão que lembra Paulo Leminski e Mário Quintana.
Mas parece que os imortais que acabo de citar não gostaram das comparações feitas aqui. Das suas tumbas erguem-se vozes, cantando em uníssono:
Perissé, Perissé
Assim você nos mata!
Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
No doce balanço, a caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar
Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor [Bis]
The girl from Ipanema
Tom Jobim
Tall and tan and young and lovely
The girl from Ipanema goes walking
And when she passes, each one she passes goes "a-a-ah!"
When she walks she's like a samba that
Swings so cool and sways so gentle,
That when she passes, each one she passes goes "a-a-ah!"
Oh, but I watch her so sadly
How can I tell her I love her?
Yes, I would give my heart gladly
But each day when she walks to the sea
She looks straight ahead not at me
Tall and tan and young and lovely
The girl from Ipanema goes walking
And when she passes I smile, but she doesn't see
She just doesn't see
No she doesn't see
Bem, por falar em competência técnica, você está ouvindo a gravação clássica do clássico Garota de Ipanema, com João Gilberto, Stan Getz e Astrud Gilberto em 1962.
Eu também admiro o esforço e a capacidade de Michel Teló e dos profissionais que o rodeiam. Seu sucesso está aí para mostrar que os caras são de primeira linha e ainda vão estourar outras bombas.
Mas eu quero ir um pouco além, e para isso trago um depoimento de outra pessoa que também esteve por muito tempo dentro do mercado musical.O José Rodrigues Trindade, mais conhecido como Zé Rodrix, que me deu a honra de ser colunista nas Iscas Intelectuais do meu site.
Em 2007 o Zé publicou um texto chamado “Indo aonde a grana está” que acho que tem tudo a ver com nossa discussão.
Tenho sido um apreciador de música desde que me entendo por gente, e talvez tenha sido esse gosto pela coisa que tenha me levado a ser o que tenho sido na maior parte de minha vida: músico, entre outras coisas. O fato de ter previsto para minha carreira uma série de problemas, caso a estrutura musical do país viesse a ser isso em que se transformou me fez tirar o time durante vinte anos.
Esses anos duraram do dia em que Elis Regina morreu (quase que o meu THE DAY THE MUSIC DIED, como se ela fosse a verdadeira Miss American Pie) até o dia em que pisei de novo no palco com Sá e Guarabyra, enfrentando logo de cara um Rock’in’Rio com 180.000 pessoas na platéia, que me fizeram, pela primeira vez na minha vida, sentir medo do palco e ter vontade de sair correndo. Não o fiz, por sorte, e tenho re-enfrentado as platéias e o ofício de "artista" com razoável sucesso, apesar de, sinceramente, não ter nenhuma vocação para isso. Reconheço que tenho o talento, e nesse sentido me sinto bem melhor que muitos que não o têm, mas têm uma imensa vocação!
Nesses vinte anos eu fiquei de longe, observando a evolução da música que se faz no Brasil, quase que como um mágico aposentado que vai ver os shows dos outros mágicos: emoção e descoberta são raríssimas, e o único prazer foi ver se os outros mágicos estavam fazendo direito os truques que eu já conhecia.
Muito poucos estavam, e analisando sinceramente, eu percebo que ocorreu um fato interessante: em vez da musica evoluir, trazendo o público consigo para um patamar mais acima do anterior, o público é que involuiu passou a aceitar e exigir cada vez menos qualidade. Os artistas? Com raríssimas e honoríssimas exceções, aceitaram essa jogada e desceram seu próprio nível de qualidade, involuindo junto com seu público. A idéia de "arte de massa", da qual já fui defensor, mas da qual hoje discordo frontalmente, tornou-se apenas uma maneira de "fazer sucesso” mais rapidamente e com menos esforço, como se a letra daquela canção do Milton na verdade estivesse dizendo "todo artista deve ir onde a grana está".
Para meu espanto, que na verdade não foi tão espantoso assim, os que mais vertiginosamente se entregaram a esse sumidouro foram exatamente aqueles de quem eu esperava a constante luta em prol da arte, e não da Indústria e nem do comércio.
Ao voltar para o oficio de maneira ativa, e participando pela internet de uma série de listas que englobam a discussão da música que se faz no Brasil entre gente envolvida com música em todas as suas facetas, percebi a crueldade do que ocorreu nesse processo.
Enquanto que até o dia em que me retirei para a aposentadoria voluntária havia claramente uma divisão entre a música "comercial" e " artística" (imitando a classificação que se dá aos cigarros que o pessoal fuma nas mais diversas ocasiões) eu percebi que vinte anos depois essa fronteira deixou de existir. E (o que é pior) a idéia industrial & comercial da música passou a ser mais importante que a idéia da arte da qual a música sempre foi uma das formas de realização. Ou seja: em vez de nos preocuparmos com a arte, estamos todos preocupados com o marketing, e só com o marketing, e nada mais que o marketing, o que acaba configurando apenas um bolero bonitinho pero ordinário.
Tendo alguns de nos até mesmo introjetado a figura do gerente de marketing de tal maneira que as almas já pensam nesse sentido antes de pensar na criação artística. O parâmetro de excelência deixou de ser a qualidade do que se faz para ser a cifra mágica: 1.000.000 de Cds vendidos! E todo mundo, sem exceção, anseia por essa cifra como prova definitiva de seu talento e valor.
Números em lugar da arte: não me parece uma escolha assim tão interessante. Come-se melhor, é verdade, mas dorme-se com muito mais dificuldade, garanto: deve ser difícil conciliar o sono quando se tem dentro de si a noção exata de que se traiu tudo aquilo que era importante em termos de arte.
Fernando Pessoa já havia dito que "a popularidade é um plebeísmo", e depois de (durante anos) rejeitar o que ele disse com toda a veemência, hoje começo a pensar se ele não tinha lá a sua razão. Os parâmetros pelos quais a música feita no Brasil se pauta hoje em dia são apenas os padrões linha-de-montagem inventados por Henry Ford: e a cada dia que passa a frase dele sobre a cor dos carros ("você pode ter um Ford de qualquer cor, desde que seja preto") se torna mais e mais verdadeira. Hoje em dia você pode ter qualquer música que quiser, desde que seja aquela que a indústria e o comércio determinaram que você faça. A popularidade, portanto, passou a ser um parâmetro de excelência. E quantos de nós, em determinado momento da carreira, não fizemos a troca tão perigosa, ficando com a fama e abrindo mão da alma?
Em momentos como esse, sempre se faz necessária a posição radical. Mas radical mesmo, não radical de fancaria, radical-de-sabado-à-tarde, radical-de-festival. Acho que deveríamos, já que estamos todos no mesmo barco, ir bater um papo sério com o comandante sobre os rumos desse cruzeiro. Se ele tergiversar, a gente toma o leme de nossas próprias vidas e faz a arte que sempre sonhou fazer. Como dizia Marx (dia desses me informaram que ele roubou a frase) "só tendes a perder os vossos grilhões", o que não é pouca porcaria.
Pois então, e você, o que acha? Há muito bato na tecla de que a arte virou comércio, assim como já falei neste programa da necessidade do público puxar o artista para cima e não para baixo. Mas desconfio que a cada dia mais, a arte à qual o Zé Rodrix se referiu estará restrita a uma pequena camada de pessoas que vão se encolher, se calar, se esconder, como se estivessem consumindo algum tipo de droga ilícita. Isso é uma pena. Em vez do estímulo intelectual que pode nos levar às lágrimas, a um êxtase, a uma revelação, vamos nos contentar em balançar a bundinha e cantar refrões maliciosos.
E todos ficarão felizes. Cara, mas isso é tão pouco...
Nos Bailes da Vida
Milton Nascimento
Foi nos bailes da vida ou num bar
Em troca de pão
Que muita gente boa pôs o pé na profissão
De tocar um instrumento e de cantar
Não importando se quem pagou quis ouvir
Foi assim
Cantar era buscar o caminho
Que vai dar no sol
Tenho comigo as lembranças do que eu era
Para cantar nada era longe tudo tão bom
Até a estrada de terra na boléia de caminhão
Era assim
Com a roupa encharcada e a alma
Repleta de chão
Todo artista tem de ir aonde o povo está
Se for assim, assim será
Cantando me disfarço e não me canso
de viver nem de cantar
Delícia, delícia... É assim, ao som de NOS BAILES DA VIDA de Milton Nascimento e Fernando Brant que o Café Brasil da delícia vai saindo de mansinho...
Com o dançante Lalá Moreira na técnica, a lacrimejante Ciça Camargo na produção e eu, o elitista Luciano Pires na direção e apresentação.
Estiveram conosco o ouvinte Daniel, Maestro Billy, Zé Rodrix, Michel Teló, Caixinha Brasileira, Cida Moreyra com o DJ Zé Pedro, Orquestra de Flautas, Sharon Acioly, Miton Nascimento, Astrud Gilberto, Stan Getz e João Gilberto. Ah, assim você me mata...
Este é o Café Brasil, um programa ouvido por gente que quer mais, gente que quer estimular o cérebro, gente que nunca vai se contentar com pouco. Gostou? Não gostou? Dê sua opinião na página de comentários deste programa. www.portalcafebrasil.com.br.
Pra terminar, uma frase de ninguém menos que Tim Maia:
Gosto de cantar com sentimentos. Se você não transmitir sentimento, não atinge ninguém.

Comentários
Ficamos felizes por fazer parte desta história que não conhecemos o inicio e nem o fim, mas que vamos cantarolano para não sermos diferentes dos outros, que possamos continuar sempre com rimas em nossas vidas.
Às vezes me sinto deslocado do mundo por estar ouvindo uma Alpha Fm, Nova Brasil, Eldorado (que mudou no dial e só pego interferência de Igrejas Evangélicas), vejo na expressão das pessoas um questionamento do tipo: de que planeta é esse tiozinho?
Infelizmente Milton, Toquinho, Djavan, Gil, Bete Carvalho, Chico Buarque, Jorge Versilo e tantos outros não vão ficar neste mundo prá sempre. Taiguara, Tom, Elis, Zé Rodrix (com um resumo perfeito dos rumos da música destes tempos), já estão em outras paragens.
Grande parte dos jovens hoje saem das escolas sem saberem interpretar um texto, sem receberem noção do que é música de qualidade, vão consumir o que? Claro que coisas de fácil digestão intelectual. Uma frase que se repete 8 X, numa gravação regada a muitas pessoas cantando juntas prá dar impressão de empolgação, como fazem nos humorísticas na TV, com as risadas de fundo.
E a competência prá divulgar estes "talentos", a falida indústria fonográfica tem.
Como vai se virar o jogo não sei.
Quando vi a preocupação de Michael Jackson nos ensaios para a turnê "This is it", onde propôs colocar um trator acelerando no palco prá chamar a atenção para a devastação das florestas, com uma música com conteúdo e qualidade, fica sempre um nó na garganta ao ver que muitos cantores com tanta coisa interessante prá transmitir não encontram espaço na mídia.
"Vem pro papai", "Olha o barulhinho", "Assim você me mata".
o que aconteceu com você luciano? perdeu os "culhões" como falou no programa?
Saiba que você foi o responsável por me fazer enxergar e pensar o Brasil de outra maneira, antes de ouvir seu programa não pensava no que acontecia aqui, agora me indigno com pessoas jogando lixo no chão e defendendo idéias que nao agregam valor nenhum a sociedade! Sei que minha crítica não a primeira e nem será a ultima, mas neste podcast vi que aquela pessoa que atacava famosos que nos tornavam bois está se acalmando, perdendo a vontade! realmente espero estar errado, quero muito ouvir críticas que me façam acordar para a realidade e querer mudar as coisas!
Um abraço,
Adams pasini
Tudo bem. entendi!Esse assunto dá pano pra manga mesmo.Vai ser legal outra abbordagem.Mas a galera parece que ficou meio irritada hein!
Bjo.
infelizmente a arte foi por esse lado também... o público não sabe o que quer, e quando vê algo desse tipo na boca de todo mundo, faz questão de conhecer e quando não se interessa, acaba conhecendo mesmo assim, já que música, diferente de muitas outras formas de arte, não é muito opcional! Na rua, no transito, no trabalho, no onibus, no buteco, na igreja, no supermercado, no trem, na balada, enfim, em qualquer lugar estará tocando essa música e tantas outras que se tornam "sucessos " imediatos e morrem.
MUDANDO DE ASSUNTO
na verdade estou mandado esse comentário pois após ouvir um programa de rádio da minha cidade, apresentado pelo radialista Osvaldo Oleare, cujo conhecimento musical é tanto que chega me assustar, ele é pai de um amigo antigo meu (11 anos de amizade) e ao perceber diversos pontos em comum entre você e ele, tenho como objetivo apresentar ambos um ao outro, e ainda quero ouvir um café brasil com esse monstro do rádio capixaba.
Atualmente ele apresenta o programa Clube da Boa Musica, junto ao seu filho que estuda jornalismo e também é apaixonado por música, na rádio Universitária FM 104,7 em Vitória-ES http://www.universitariafm.com.br/ . O horario do programa é toda terça de 20:00 às 22:00
Se o senhor puder ouvir o programa algum dia, ou então quiser conhecer o “Don Oleare” como gostamos de chamá-lo hehehe por favor me envie seu contato para reunir essas duas inspirações!
Não tenho nada contra a pessoa do michel teló, o sucesso dele é legitimo e até merecido, ele apenas aproveitou a preguiça de escolher do povo!
o que me indigna nesses tempos é que para consumir boa cultura as pessoas que realmente se interessam devem "cavocar" muito para encontra-la, a MTV que antes transmitia boas músicas e novas bandas agora é refém de algumas gravadoras que empurram seu lixo guela a baixo dos jovens que carentes de um ídolo os engolem e consomem tudo o que eles lançam, sabendo que no futuro terão vergonha de dizer que gostavam daquilo! Sem falar das rádios que só tocam as bandas com grana para bancar o velho " jabá"! Sabe que tive de ir a 3 livrarias para achar o seu livro? só o encontrei escondido na sessão de marketing de uma Saraiva aqui de POA, irônico você estar entre eles não? o quero exemplificar com isso é que a cultura de verdade no Brasil é cada vez menos acessível e cara!mas você sabe disso mais do que eu...
E também vale lembrar que o congresso está com um projeto de lei chamado "lei azeredo" que é o nosso PIPA ou ACTA, acredito que vale a pena pesquisar o tema e faze um ou dois programas a respeito!
Abraço Luciano.
Costumo dizer que há dois tipos de música referentes à popular, a música da massa e a massificada.
A música da massa é aquela que surgiu como uma maneira dos grupos minoritários serem ouvidos e acabam tomando o gosto popular de grupos cada vez maiores e as músicas massificadas são aquelas que aproveitando o embalo de alguma música de massa, que faz sucesso, começam a, por pressão das gravadoras, ou quem quer que sejam, acabam inundando as mídias.
Eu não vejo problema nisso, pelo contrario acho que é um artefato que as gravadoras e distribuidoras tem pra aumentar a sua renda. Via de regra, é uma música que não tem qualquer preocupação ideológica, um arranjo bem trabalhado, ou qualquer outro ponto explorado (seja artística, política ou socialmente), são, normalmente, funks (a batida rítmica entram ai a grande maioria das músicas que se ouve no rádio, sertanejo, rock, pagode, axé, etc) de batida simples com um refrão ainda mais simples para que fiquem grudados no seu cérebro como se fosse aquela goma mascada e derretida sob o sol que você, incauto, pisou na calçada por onde andava.
O grande problema, na minha opinião, é que aqueles artistas que perderam um pouco de espaço na mídia acabam se entregando ao modo "fácil" de ganhar dinheiro fazendo esses "hits de sucesso" e acabam, nesse instante, deixando de lado o seu esmero ao fazer uma nova música.
Há, também, a música erudita, onde cada parte da música é trabalhada, onde os artistas concebem filhos e não simples músicas (sou apaixonado por música). Mas como disseste no programa estão se "escondendo", tanto os que fazem quanto os que escutam. Acho que isso também se deve à inversão de valores que parece assombrar o nosso país.
Explico, ser erudito parece ter se tornado uma ofensa, apresentar um conhecimento um pouco mais elevado de algo que não é ligado ao seu trabalho é igual a ser um idiota que fica estudando coisas inúteis. Acaba-se tornando o chato que quer ficar corrigindo as pessoas, ou então, um metido a "geniozinho". Por isso, mesmo que você goste de música elaborada, engajada ou que de alguma forma destoe da esperada, acaba não falando nada e se esconde pra evitar conflitos.
"Com o sucesso 'Ai, se eu te pego', o cantor paranaense Michel Teló traduz os valores da cultura popular para os brasileiros de todas as classes."
Sem entrarmos no mérito da discussão sobre os valores que estão sendo transmitidos (o da "pegação", etc), o grande problema desse enunciado trazido pela revista está na falta de discernimento entre cultura popular e cultura pop. Ainda que pareçam vir da mesma fonte, a primeira está ligada as manifestações culturais tradicionais e ao folclore. Já a segunda, ao popular massivo e a indústria cultural.
Entendo Michel Teló como um fortíssimo representante da cultura pop brasileira. No entanto, não se pode dizer, pela mensagem que sua música transmite, que ele represente de alguma forma a cultura popular brasileira.
- Andriolli Costa. Jornalista. Campo Grande/MS
Porem, ao refletir mais um pouco, conclui que talvez o problema realmente não esteja na musica nem no artista, mas na Ditadura da Maioria vulgo Democracia que vivemos, tenho um texto sobre isto com o titulo de 'Democracia é apenas o cabresto que impede a Ditadura de se desembestar' neste link http://voudepe.blogspot.com/2012/01/democracia-e-apenas-o-cabresto-que.html . Não espante se em algum momento sentir estar lendo algo seu, Tenho você como um exemplo de filosofo moderno, e as referencias ao teu jeito podem ficar nítidas em algum momento, talvez não.
entretanto o ponto a onde quero fixar minha defesa argumentista, é exatamente o fato de, eu como cidadão detentor de direitos defendido pela constituição, ser obrigado pela maioria a ouvir algo repetidamente exaustivamente, eu particularmente não assisto tv aberta, não ouço radio, porem sei a letra desta musica de cabo a rabo. Como isso é possível? Simples, sou bombardeado com carros de som, celulares em ônibus, em fim, meios é que não faltam, para me obrigar a ouvir algo que não quero, me apego ao meus fones de ouvido sempre que saio na rua sozinho, tento sempre escutar algo que mais me agrade, porem até dentro do meus fones de ouvidos essa musica conseguiu penetrar.
Creio na Ditadura vivida por nós, a Ditadura da maioria, a onde o marginal, é obrigado a gostar do que todos gostam.
Como me referi no inicio. seus argumentos quebraram meu preconceito, admito a qualidade musical, o esforço, e até, com a mente mais aberta, a qualidade da letra. Porem não me agrada, não agrada ao meu gosto particular, mas sou obrigado a ouvir, sim obrigado, pois neste caso não há escapatória, até trancado em meu quarto com meus podcasts, essa musica adentra sem ser chamada. Me desculpe, não estou criticado o seu programa, que ao contrario é merecedor apenas de elogios, estou apenas exemplificando, que não possuo o direito de escolher não ouvi-las, sim eu posso deletar este episodio, e seguir com o próximo, mas ae já é tarde eu já escutei, a letra já impregnou em minhas redes neurais, e de lá só sairá com muita martelada, a base de, ao meu ver, boas musicas... se isto não for ditadura, eu não sei o que é... "
Sabe, lendo alguns comentários aqui eu me lembrei daquele seu texto, Luciano, "O Disjuntor"... (Quem quiser, esse é o link do texto: http://www.portalcafebrasil.com.br/artigos/o-disjuntor)
A porrada que desligou o disjuntor das pessoas nesse podcast foi até o texto do Gabriel Perissé. Até ali parece que vc estava apoiando a musica do Michel Teló. Ou seja, todo mundo que te conhece ficou indignado "Po, como pode o Luciano 'apoiar' uma música pocotizadora??" e, aparentemente, a partir dali desligaram o disjuntor... Pq tudo que vc fala após o texto do Gabriel Perissé não é diretamente contra a Ai se Eu te Pego, mas é contra. Vc rebate de forma sutil e elegante o primeiro texto que vc leu dizendo que a música não deve ser encarada apenas como um "negócio comercial" e sim como manifestação de arte. Isso fica explícito no trecho abaixo:
"Mas desconfio que a cada dia mais, a arte à qual o Zé Rodrix se referiu estará restrita a uma pequena camada de pessoas que vão se encolher, se calar, se esconder, como se estivessem consumindo algum tipo de droga ilícita. Isso é uma pena. "
O "Isso é uma pena" deixa claro qual é sua posição diante do assunto. Vc é a favor da música como arte e não como comércio.
Enfim, muito obrigado por mais uma vez nos presentear com um podcast acompanhado de tanta sabedoria Luciano.
Parabéns, abraço.
É, não podemos mesmo culpar o Teló pela sua música, pois no final da contas, isso se resume a dinheiro, como quase tudo na vida. Quantos artistas já foram "sugados" pelo redemoinho financeiro da mídia e do "povão"?
Me colocando no lugar deles, se tivesse o talento para a música, qual escolha faria? Escolher fazer uma musica "de qualidade" e levar a vida financeiramente falando, aos trancos e barrancos, ou me rendería a um "sucesso pré-fabricado" com letras chulas e repetitivas e com isso faturar milhões?
Não gosto e não vou gostar desta e de outras músicas "sucesso", mas também não sou hipócrita, condenando os autores e intérpretes. Pois eles estão dando o que o povo quer, e o povo não quer pensar e refletir sobre uma letra de música, mas quer sim diversão instantânea, para fugir um pouco da realidade insana em que vive, e por alguns momentos, achar que é feliz.
Infelizmente.
Como já disse, no fim o que importa é o quanto se ganha.
Abraços Luciano.
Esse eu tive que comentar. Não pelo modismo mas, como você mesmo disse. Pela moda que virou falar bem ou mal daquilo que é sucesso.
Realmente, nos dias de hoje é mais difícil empurrar interesses goela abaixo e dizer que isso é bom pra vender. Se gosto ou não, nem vem ao caso. Se é sucesso é bom.
A música tem outras funções que não educar.
Quer erudição vai pra academia
Crítica vazia me dá sono
11° Mandamento: jamais compararás Vinicius de Moraes a nada no planeta.
Fora isso, gostei muito. Principalmente do texto de José Rodrigues, o qual descreve perfeitamente o que penso sobre a música atualmente. Apesar de que tenho somente 19 anos de idade.
Abraços e parabéns pelo trabalho!
Mas o resto tá ótimo.
Acredito que o Michel Teló e equipe foram muito felizes ao lançar esta música num momento em que a mídia tem exaltado além dos tentos das partidas de futebol: as coreografias dos jogadores e... pegou quando craques mundiais como Robinho, Neimar, Ronaldinho Gaucho e Cristiano Ronaldo aparecem dançando e rebolando na onda de Teló.
Ai ficou foi fácil... assim é so delícia... com certeza!
Há algum tempo utilizo as principais redes sociais (em especial facebook e twitter) para me comunicar com amigos, companheiros de trabalho, fornecedores e até empresas (já que trabalho como freelancer, passo bastante tempo isolado e tenho essas ferramentas como importantes meios de comunicação). Mas ao mesmo tempo, vejo que existe um certo preconceito por parte da maioria das pessoas quando algum assunto publicado segue em desacordo com a sua ideologia ou cultura.
Um detalhe que mais me chama a atenção para exemplificar, é que há algum tempo, a expressão “orkutizaram o facebook” tem ganhado cada vez mais relevância. Orkutizar, neste caso, parece ser sinônimo de banalizar. E venho observando que a cada dia isso se torna mais evidente, como se existissem dois “Brasis”, o dos “cultos” e o dos “orkutzados”.
Mesmo caso do “Ai se eu te pego”. Recebi milhões de mensagens via redes sociais criticando ferozmente este fenômeno popular dizendo que o Teló estaria “difamando a nação” com a internacionalização deste hit, ou que esta música é de “arranhar os tímpanos”.
A partir destes exemplos, o que mais me intriga é perceber que pessoas “intelectualizadas” estão gastando seu precioso tempo que poderiam estar utilizando para conceber idéias iluminadas ou até levantando algo que de alguma forma beneficiasse a sociedade, discutindo os motivos pelo qual pessoas culturalmente desfavorecidas estariam utilizando seu espaço.
Por isso, retorno a pergunta com a qual iniciei meu comentário: Afinal de contas, o que é intelectualidade?
Bom dia, boa tarde ou boa noite!
Eu já conhecia o texto do Gabriel do fórum e achei muito bacana!
E preparem-se para o próximo "sucesso" , que já está tocando nas rádios: "Humilde residência"..
" Vou te pegar na minha humilde residência
Pra gente fazer amor
Mas, eu te pço só um pouquinho de paciência
A cama tá quebrada e não tem cobertor..."
Não é o povo que dança conforme a música mais...Os músicos é que tocam conforme o público, a mídia...
Se alguém quer comer merda e ainda se diverte com isso, para que vou gastar energia, tempo e dinheiro oferecendo comida de qualidade? " Se está no inferno, abraça o capeta"... Foi só isso que o Michel fez...E não precisa condena-lo porque todo mundo está fazendo a mesma coisa por aí...Só não fez tanto sucesso quanto ele...
As drogas só existem porque há consumidores fiéis...Quem dita as regras é quem consome...Portanto, não há como fugir, o negócio gruda na cabeça mesmo. É só ter o cuidado de limpar os sapatos todos os dias, porque pisar na merda pelo menos uma vez ao dia é certeza....rsrsr!
Abraço, Luciano...
Objetivo atingindo! Se o seu objetivo no podcast era provocar a reflexão você conseguiu. Muitos de nós possuidores de um senso de cultura diferenciado, o qual nos colocamos em "posições diferenciadas mentalmente" nos vemos muitas vezes no direito de sair "descendo o pau" naquilo que incomoda nosso "consciente pessoal", mas o texto vai além deste ato. Ele nos convida a refletir para este e outros tantos acontecimentos que ocorreram e passam e passarão pelo universo midiático.
Bom Senso se adquiri com filtros bons e uma dessas maneiras é justamente refletirmos sobre diversos pontos de vista de um assunto polemico.
Obrigado Luciano pro sempre nos proporcionar estes tesouros
Eu tenho que dizer: só vc mesmo pra me fazer ouvir meia hora de Michel Teló! Confesso que no início eu quase pensei em desistir de ouvir esse episódio, mas desde a defesa do maestro Bily até o comentario do Zé Rodrix passando pelo comentário do Perissé eu adorei o formato. Eu ri muito, mas pensei que até pra não gostar de uma coisa é preciso ter algum motivo se não é só implicância. Obrigado por me abrir os olhos pra isso, eu continuo não gostando do Michel Teló mas pelo menos agora eu sei o porquê!
Continue assim!!!
Particularmente não gosto, assim como não gosto de Ivete Sangalo, Claudia Leite, Victor e Leo, etc, mas esses artistas são muito profissionais e isso é perceptível e admirável.
Abraços.
Você já teve aquele momento do dia, pelo menos uma vez na vida, que só queria passar o tempo. Não queria pensar no mundo e seus problemas, não queria reinventar a roda. Ai você coloca aquela musiquinha boba, sem grandes pretensões pra tocar e relaxar e não pensar em nada? São musicas como a do Michel Teló nos permitem isso, desligar um pouco e curtir.
Aprendi com o tempo, apesar de ter apenas 23 anos, que existem vários tipos de músicas e todas tem sua hora. Não dá pra agitar o carnaval com Bossa Nova. É no minimo estranho tocar Megadeth na manhã de praia. É pouco espiritual um psy na igreja, e é difícil animar uma festa com Vento no Litoral. Falo isso não apenas por causa de seus ritmos, mas também pela menagem que os acompanham. Existe o momento de refletir, questionar, agir, e o simples brincar, divertir, distrair.
A música de Teló tem qualidade e é perfeita para o que se propõe. É de melodia simples, ritmo contagiante e letra que diz muito a quem se dirige.
Ótimo para festejar e distrair. E para isso deve ser usada.
Errado é quem só se prende a esse lado da musica e não uso o lado "B", o de informar, refletir, questionar, protestar. E é tão errado também quem não quer dar ouvidos ao lado despretensioso da música. Que acha que só João Gilberto, Vinicius, Hermeto e Chico sabem compor. Que só os os "cabeçudos" fazem musica de "verdade".
Depois de um grande período de rock progressivo, cheio de notas difíceis, letras complexas e mais longas que ler a Bíblia de ponta-a-ponta, veio o Punk Rock, com 4 notas, letra direta e violenta, e mais rápido que preparar um miojo. Curioso...
E ainda tem a música que pode não parecer boa, mas se você ouvir com um pouco mais de atenção, se surpreenderá. Já ouviu "Aos nossos pais" com Elis Regina? Linda não? Agora eu duvido que você teria a mesma opinião se ouvisse a primeiramente a versão do seu compositor, Belchior.
Já ouvir a música "Baba Baby" da Kelly Key? E a versão da Maria Gadú? Parece ser outra música.
Agora vou te confudir. Escute a música "Calice" do Chico com Milto e depois escute a versão que o rapper Criolo Doido fez. Não sou capaz de dizer qual é mais tocante, e ambas falam da mesma coisa.
Uma coisa que nós brasileiros estamos cada vez mais perdendo é a forma de como devemos absorver arte. Absorvemos arte assim como torcemos no futebol. Aceitamos um único time, os outros rejeitamos e menosprezamos. Arte não deve ser selecionada como time, mas observada como um jogo.
Adoraria continuar escrevendo minhas confusas opiniões, mas deixo para uma próxima. Ou pelo menos até o próximo comentário.
Um abraço e obrigado pelo de sempre, distração com reflexão.
Bruno Menesis
Que bom.
Abraços e parabens pelo programa!
Aliás tô lendo o livro e adorando, queria assinar embaixo de absolutamente todas as páginas!
Billy.
Poesia é a forma de expressar qualquer ciscustancia ou pessoa de forma elegante, sensivel quase musical de maneira branda suave e "respeitosa". É quase "puxar o saco" do ser admirado, "metaforizar" com tendencia a iluminar fatos hipoteticos ou não elevando-os a nivel celestial...
É possivel traduzir qualquer funk vulgar em poesia, da mesma forma que é possivel transformar a mais bela obra poetica em lixo!
Não! Grandioso Luciano. Eu tenho ouvido muitos dos seus podcast e ate comentado brevemente algum de eles. Você sabe que eu sou um apaixonado da musica do Rei Roberto (e acho que a Ciça vai me odiar por isso), mas neste comentário eu vou dizer que é certo... você esta ficando mais esperto. O sucesso que esse cara o Michel Teló esta fazendo (não só no Brasil) em tudo o mundo é uma coisa muito interessante. A verdade quando você falou sobre a relação de "ai se eu te pego" com a "Garota de Ipanema" eu fiquei muito surpreso (sera que assim se escreve "quedé muy sorprendido"). Eu não tenho certeza se esse sucesso do Michel Teló vai ser como esses caras ou bandas do "only one big hit" (Mammbo numer 5, Aserejé, Macarena, Kung Fu Fighting, Me and Mrs. Jones) ou quem sabe um sucesso do tipo do Waca Waca que a Shakira cantou na copa do mundo em 2010; mas o que tenho descoberto é que esse rapaz tive a magia de fazer uma musica simples que tem chegado muito além do Brasil... Hoje no México meu familia ate canta e meu filha de 4 anos ate dança a música de Teló!!!! Eu tenho gostado da música do Rei desde 1972 (quando eu tive só 7 anos) e ate aprendi a falar português só ouvindo seu música (coisa muito extranha no meu pais). Aprendi então muito da MPB e de grandes cantores como Caetano, Maria Betânia, Chico Buarque, Marisa Montes, Ivette Sangalo e muitos novos que eu tenho descoberto com o Café Brasil. Mas não quero me perder falando hoje de isso. Seja do meu gosto ou não, Michel Teló tem conseguido juntar hoje minha familia dançando e cantando em português uma letra simples... Da pra compreender Luciano? Nos somos mexicanos, minha familia não fala português! Eu que falo português, sou um maluco (sem beleza como o que canta Raul Seixas) entre meus amigos por ter aprendido a falar um idioma que só as pessoas de poucos países falam, que não é a "Business language"! É aí que fica a magia do Teló... ele tem feito cantar mexicanos, americanos, europeus, judeus e quem sabe quantos mais! (olhei na internet e encontrei uma versão diferente para cada país). Qual é a razão de tudo isso nem sei. Acredito que é coisa da media, o marketing, as redes sociais ou uma mistura de tudo isso.
Como você tem falado em tantos podcasts, fazer uso do cérebro é uma raridade hoje no Brasil como em tudo o mundo. Eu fique feliz de cantar em português com minha familia, mas tenho ficado um pouco preocupado... será que todos os meios de controle que a sociedade tem são tão poderosos que nos não temos defensiva...? A magia de Teló é magia da arte como foi a magia do Jobim e Vinicius que tem conquistado o mundo e a eternidade? Ou simplesmente é a "magia" do controle das massas (Não tenho certeza se massas é a mesma coisa que "masas" em espanhol, eu quero dizer uma grande população)?
Até quando eu descubra isso, eu prefiro ficar mais como agua que como fogo. Vou tentar ficar mais esperto, escutar, olhar e ate usar as 4 R´s que você falou.
Ainda não sei como esse cara fiz, e como mais outros também fizeram. Mas eu acho que não é casualidade. Temos que ficar mais espertos como você para não cair no são.
Um abraço Luciano e continue seu maravilhoso trabalho de despocotizar o Brasil... e muitos outros em diferentes países.
Atenciosamente
Noé Soria
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