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Bom dia, boa tarde, boa noite! O Café Brasil de hoje tratará de algo que falo há tempos: a necessidade da gente conhecer não só o que acontece, mas por que acontece. A maioria das pessoas acha que estar bem informada basta, mas é preciso mais que isso para quem não quer ser apenas um refém de quem sabe como manipular a informação. Na trilha sonora, a festa de sempre: Beth Lamas, Reginaldo Rossi, The Walkers, Yamandu Costa com Dominguinhos e Renata Arruda. Apresentação de Luciano Pires.
Bom dia, boa tarde, boa noite! O Café Brasil de hoje chama-se “Raciocínios perigosos” e vai tratar de algo que falo há tempos: a necessidade da gente conhecer não só o que acontece, mas porquê acontece. A maioria das pessoas acha que estar bem informada basta, mas é preciso mais que isso para quem não quer ser apenas um refém dos vendedores.
Para começar, vamos com uma frase do humorista norte americano Arnold Glasow:
O emblema do intelecto é um ponto de interrogação.
Esta semana um exemplar do livro NÓIS QUE INVERTEMO AS COISA vai para...para... o André Navarro, que comentou o programa GERAÇÃO T assim:
"Bom dia Luciano! Estou rindo até agora, Rhaissa Bittar com Pa ri, que música foi essa? Realmente genial da parte dela, e o contrário da minha parte - jurei que era francês. Parabenizo-o por aguçar a minha curiosidade com o programa, e ter-me feito vir até aqui, no site, para verificar a música e sua letra.
Aproveitando o ensejo, eu ouvi o Café Brasil a primeira vez no rádio, voltando da faculdade, porém martirizei-me por não lembrar em qual estação eu tinha ouvido o programa, o qual eu havia gostado tanto. Quando finalmente, após certa procura, descobri tratar-se de um podcast - coisa que eu nem sabia até então o que era - tratei logo de assinar o programa e passei a ouvi-lo sempre.
Digo tudo isso porque com apenas um programa fiquei curioso a ponto de precisar saber o que teria falado nos outros programas. E a cada apresentação que ouço fico mais curioso sobre o assunto, assim como sobre o que será falado na próxima semana. Obrigado pelas iscas intelectuais, eu estava precisando de um "up" nesse sentido - um real incentivo à curiosidade, que era tão natural quando crianças."
Seja bem vindo André! Você fez certinho: correu atrás da curiosidade e teve uma surpresa que quem não ficou curioso, não teve. E ainda ganhou um livro. Ô você aí, que nunca escreveu, veja só que curioso: quem escreve pra nós tem mais chance de ganhar um livro do que você!
Olha só um recado para os curiosos. Sempre que um programa novo vai ao ar, ele é publicado no site www.podcastcafebrasil.com.br. Se você for até lá, encontrará na página do podecast, logo abaixo da descrição do episódio, um link chamado LER O ROTEIRO COMPLETO DO PROGRAMA. Clicando ali, você terá todo o texto deste programa, com vários links ao longo dele, que levam você direto para a nossa CAFEPEDIA. A CAFEPEDIA é uma enciclopédia que reúne informações adicionais sobre os artistas, canções, fatos e curiosidades que comentamos no programa. É uma complementação fascinante para aquilo que despertou sua curiosidade. CAFEPÉDIA CAFÉ BRASIL.
Viu só? Nóis tamém investe em curtura, sô!
Em 1946 o deputado Edmundo Barreto Pinto deixou-se fotografar para a revista O Cruzeiro vestindo um fraque e cuecas samba-canção. Diz a história que a promessa era de que a foto seria publicada apenas da cintura para cima. Não foi. E o deputado perdeu o cargo por falta de decoro parlamentar. Se você ficar curioso, a foto do cuecudo está publicada na nossa Cafepedia.
Outra cueca, esta mais recente: o senador Eduardo Suplicy desfilou pelos corredores do Congresso usando uma cueca vermelha por cima do terno, numa brincadeira promovida pelo programa Pânico Na TV. A brincadeira pegou mal, o deputado pediu e a reportagem não foi ao ar. Mas a foto foi estampada em vários jornais e revistas. E como neste novo milênio estamos muito mais tolerantes, a coisa ficou por isso mesmo, sem maiores conseqüências.
Mas mostrando que a tolerância só vale para os homens, vimos o caso da Geysi Arruda que foi à universidade com um vestido curtíssimo. A moça foi cercada por centenas de estudantes, xingada e ameaçada. Vídeos mostrando o acontecido foram parar no Youtube, dali para os jornais, revistas e televisão e pronto. Geysi Arruda, a moça do micro vestido, foi expulsa da universidade e depois readmitida e o Brasil parou para discutir o assunto. Sorte dela, que apareceu em dezenas de programas de televisão e revistas masculinas, fez uma repaginação, virou destaque da escola de samba Gaviões da Fiel e está curtindo o “ser celebridade” tão caro a estes novos tempos.
Fama
Money no bolso é tudo o que eu quero
Money no bolso saúde e sucesso (2 x)
Faço tudo pela fama não tem jeito eu sou assim
Sei que a fama tem um preço vou pagar quero subir
Na cama com Madonna quero mais é ser feliz
Se eu tiver 15 minutos viro capa de revista
Money no bolso.....( 2 x )
Papagaio de pirata estandinho estandim
Sou modelo, sou atriz, luzes câmeras em mim
Pago mico toda horam quero mais aparecer
Se eu tiver 15 minutos eu viro estrela de TV
Money no bolso...( 2 x )
Um jatinho pra voar quando eu estiver afim
Sem limites pra sonhar Holliwood é logo alí
Por ali ou pór alá eu nasci pra ser artista
Se eu tiver 15 minutos eu viro capa de revista
money no bolso...
Você está ouvindo Beth Lamas, que vem do teatro para fazer sucesso também como cantora. Essa música, FAMA, composição de Beth com Sarah Benchimol, foi trilha da peça A VERDADEIRA HISTÓRIA DE BEATRIZ ALZIRA, estrelada pela Beth. E depois, a música virou trilha da novela CELEBRIDADE. Isso é muito anos setenta...
Cuecas e micro vestidos ocupando o imaginário popular parecem banalidades, não é? Não é não, viu. O lance das cuecas e do vestido curto não é a doença. É o sintoma.
A cueca de 1946 mostrou a doença da quebra de confiança, uma promessa não cumprida pelo jornalista, causando uma vítima, o deputado. A cueca do Suplicy em 2009 mostrou a doença do vale tudo para uns segundinhos de exposição na mídia. E o micro vestido da Geisy em 2009 exibiu a doença da intolerância que pensávamos já estar ultrapassada.
Mas quero mesmo é fazer umas perguntinhas marotas... olha só! Quero saber os porquês de cada um desses “escândalos”.
Em 1946, foi por causa do deputado que vestiu a cueca ou do jornalista que o enganou? Em 2009 foi por causa do senador que vestiu a cueca ou do pessoal do programa Pânico na TV que o induziu a isso? E no caso da universidade? Foi por causa da moça que usou o vestido curto ou da intolerância dos agressores?
Parece lógico, não é? Se o deputado e o senador não tivessem concordado em usar as cuecas, nada teria acontecido. Se a Geysi não tivesse colocado o vestido provocante, nada teria acontecido.
Portanto a culpa deve ser deles, não é?
Acho que vou chorar
Quero voltar para o interior
Hum, hum, hum, hum, hum
Pra no campo, correr, sobre a relva deitar
Com um grande amor sonhar
E sonhar que outra vez um menino eu sou
Hum, hum, hum, hum, hum
Livre, correndo, só pensando em brincar
Comer, dormir, sonhar
E sonhar com os campos, com a mata em flor
Hum, hum, hum, hum, hum
Com as águas do rio, onde vou me banhar
E um peixe bom... Pescar
Quero voltar para o interior
Hum, hum, hum, hum, hum
Pra no campo, correr, sobre a relva deitar
Com um grande amor sonhar
E é tanta saudade nesse meu coração
Hum, hum, hum, hum, hum
Dos domingos, na missa, onde eu ia cantar
Eu acho que vou chorar
E são tantas as lembranças de tão lindo lugar
Hum, hum, hum, hum, hum
A igrejinha, a praça, a bandinha a tocar
Eu acho que vou chorar
Quero voltar para o interior
Hum, hum, hum, hum, hum
Pra no campo, correr, sobre a relva deitar
Com um grande amor sonhar
Que tal hein? Você está ouvindo EU ACHO QUE VOU CHORAR, com Reginaldo Rossi, pode? Pois é, o Reginaldo Rossi começou assim, cantando versões. Essa é de THERE´S NO MORE CORN ON THE BRASOS, sucesso dos The Walkers em 1971.
There's no more corn on the Brasos
There's no more corn on the Brasos - o oho oho
They grinded it all up in molasses - o oho oho
Captain, don't you do me like you've done for Shine - o oho oho
Well, you've driven that bully till he went stone blind - o oho oho
You've come on the river in 1904 - o oho oho
You could find many dead men on every turn of the road - o oho
There's no more corn on the Brasos - o oho oho
They grinded it all up in molasses - o oho oho
You've been on the river 1910 - o oho oho
Well, they're drivin the women like they drive the men - o oho oho
Rise up all dead men, help me drive my load - o oho oho
Oh, rise up all dead men, help me drive my load - o oho oho
There's no more corn on the Brasos - o oho oho
They grinded it all up in molasses - o oho oho
Não há mais milho no (rio) Brasos
Não há mais milho no (rio) Brasos
Eles transformaram tudo em melaço
Capitão, não faça comigo como você fez com o Shine - o oho oho
Bem, você sobrecarregou aquele xucro até que ele ficou completamente cego
Você chegou ao rio em 1904 - o oho oho
Você pôde encontrar muitos homens mortes em cada curva da estrada
Não há mais milho no Brasos
Eles moeram tudo em melaço
Você esteve no rio em 1910
Bem, eles estão sobrecarregando as mulheres, como sobrecarregam os homens - o oho oho
Levantem-se todos os homens mortes, ajudem-me a levar minha carga - o oho oho
Oh levantem-se, todos os homens mortos, ajudem-me a levar minha carga - oho oho
Não há mais milho no (rio) Brasos
Eles moeram tudo em melaço
** Essa música é inspirada na canção "Ain’t no more cane on the Brazos", cantada nas prisões do Texas (EUA). O Brasos é um rio que nasce no estado norte-americano do Novo México.
Pois é...quando eu escuto esse argumento de que a culpa é deles, eu acho que eu vou chorar! Cuidado! Quer dizer que a culpa do estupro é da moça que colocou o vestido curto? A culpa da perda de mandato é do político que confiou no jornalista? Esse raciocínio é perigoso.
Ele também serve para desculpar o MST que invade e depreda a fazenda particular sob o argumento de que “são da união e foram invadidas pela Cutrale”. Serve para desculpar a torcida uniformizada que trucida o torcedor do time contrário que “tava provocano nóis”.
Serve para inocentar o sujeito que rouba o celular que “tava largado na mesa, dano sopa.” Serve para aliviar a culpa do assassino conforme a qualificação da vítima. Serve para desculpar a mentira e a corrupção, pois “no governo anterior era até pior”.
Nestes tempos de novilíngua, de “mentiras simbólicas” e de gente ideologicamente estressada, nem tudo é o que parece ser.
Portanto, antes de acreditar no julgamento dos outros, preocupe-se em saber os porquês.
Meu! Dá pra acreditar nisso? Você ESTÁ OUVINDO molambo, de Augusto Mesquita e Jayme Florence ao som maravilhoso de QUEM? Dos sócios do Café Brasil, Yamandu Costa e Dominguinhos
Bem, vamos lá. É importante tentar entender porquê as coisas acontecem, além de saber que elas acontecem, certo? Em minhas palestras costumo apresentar algumas regrinhas que servem como base para quem quer exercer seu espírito crítico ao receber informações. Várias dessas dicas eu já dei em programas anteriores, mas agora vamos agrupar tudo num só. Pode ser um exercício e tanto!
Começo com a minha velha e boa TEORIA DOS QUATRO RÊS. Ela prega que “Informações sem relevância, disseminadas por quem não tem a menor responsabilidade, quando recebidas sem qualquer reserva, ganham ressonância desproporcional.”
Eu estou exagerando no RRRE, porque eu sou de Baurú e falo poRRta. E cada vez que aparece um R e eu posso falaar RRRE, eu faço questão...
O corte de cabelo novo do Ronaldo Fenômeno. A celebridade da novela que apareceu num vídeo indiscreto. Aqueles assuntos que ganham espaço nas discussões normalmente não respeitam os quatro rês. Aliás, nem podem, né?
Os quatro rês são problema nosso.
Sempre que você estiver diante de uma informação, não importa se no jornal, na televisão ou até mesmo da boca daquela colega na hora do café, fique esperto para aplicar a Teoria dos quatro rês.
Primeiro rê: Relevância. Que importância tem essa informação que você está recebendo? Que importância para você, para os que estão à sua volta, para sua empresa, para sua cidade, para seu país, para o mundo? Se não tem importância nenhuma, se é apenas mero entretenimento ou fofoca, não perca mais tempo com ela.
Segundo rê: Responsabilidade. Que responsabilidade tem a pessoa que está passando essa informação para você? Ela é confiável? Ela se preocupou em verificar as evidências? Ou é apenas um irresponsável passando para a frente aquilo que ouviu? Se é um irresponsável, redobre os cuidados, vá você mesmo em busca das evidências. Use o Google!
Terceiro rê: Reserva. Com que reserva você deve receber essa informação? Que cuidados deve tomar? Que proteções deve ter? Se você recebe as informações sem qualquer reserva, torna-se vítima delas. Ou passa a ser um inocente útil, distribuindo aquilo que alguém quer que você distribua.
Por fim o quarto rê: Ressonância. Que ressonância você deve dar à informação? Deve distribuir para todo mundo, deve ampliar o alcance? Ou apenas fazer com que a informação morra ali com você?
Relevância. Responsabilidade. Reserva. Ressonância. Quatro palavrinhas que ajudam você a filtrar de forma inteligente as informações que circulam por aí. Os quatro rês que te deixam esperto!
Depois vêem aquelas cinco perguntinhas básicas, que servem pra jogar água na fervura, desmascarar os manipuladores e proteger você.
Primeira: quem criou essa mensagem? É fundamental que você tenha uma idéia da autoria da mensagem. Quando você sabe a autoria, tem grandes chances de entender as intenções - na maioria das vezes ocultas - de quem criou a mensagem e pode proteger-se. Uma ligação anunciando que você ganhou um prêmio, por exemplo, muda completamente de significado quando você sabe que por trás dela está um operador de 0800 de uma companhia de telefonia, percebe? Aí tem coisa...
Gosto muito de usar aquele exemplo clássico: pegue a frase “eu só sei que nada sei”. Se o autor for o filósofo grego Sócrates, ela significa que o sábio é aquele que reconhece sua ignorância e trabalha para vencê-la. Já a mesma frase “só sei que nada sei” na boca de Luiz Inácio Lula da Silva, assume um significado completamente diferente. Por isso é importante saber quem é o autor da mensagem.
Segunda pergunta: Que técnicas criativas foram usadas para chamar a minha atenção? Estou fascinado com esta propaganda de cerveja, pois tem uma loira com uma bunda maravilhosa. Percebeu? A bunda é um truque para prender a sua atenção! De olho na bunda, abro espaço para a marca da cerveja.
Outra prática muito difundida são as frases tiradas para fora de um contexto. Num programa anterior tratei da frase da Sandy sobre prazer anal, que tirada de um contexto onde ela dizia que pode ser que exista quem goste, transformou-se numa confissão de preferência sexual da cantora. Fique esperto com os truques dos criativos!
Terceira pergunta: De que forma pessoas diferentes entenderiam essa mensagem de um jeito diferente da minha? Se eu não fosse quem sou, não morasse onde moro, não tivesse a educação que tenho, como eu receberia essa informação? Aquela piada do Rafinha Bastos dizendo que mulher feia deveria agradecer se fosse estuprada, por exemplo? Você riu? E se você fosse uma mulher feia? E aquela propaganda da Skol com um terremoto na praia engolindo todo mundo e a caixa de cerveja? Você achou interessante? E se você fosse um refugiado Haitiano ou até mesmo um Chileno que já enfrentou um terremoto, morando no Brasil? Percebe? Coloque-se no lugar de outros.
Quarta pergunta: Que valores, estilos de vida e pontos de vista estão representados (ou omitidos) desta mensagem? Uma mensagem anti-abortista vinda de um médico pode tomar outros significados se vier de um padre, por exemplo. O que poderia ser uma questão científica transforma-se numa questão religiosa e ideológica.
Quinta pergunta: Por que esta mensagem está sendo enviada? Por quê pra mim, aqui e agora? Recebi outro dia um DVD com um programa mostrando as atividades da prefeitura da cidade onde eu moro. É claro que a intenção não é prestar contas, mas dar a largada para uma campanha eleitoral.
Cinco perguntinhas, sacou? Experimente fazê-las. Com o tempo você vai incorporá-las a seu repertório e passar a fazê-las de forma automática, protegendo-se de manipulações, mentiras e aproveitadores. E elas vão ajudar você a entender porquê as coisas acontecem.
Nestes dias de estresse ideológico nos quais vivemos, onde por trás de cada fato ou versão existe um interesse, é fundamental estar preparado para receber, filtras e escolher a informação. A violência na televisão, por exemplo, deve ser 10 vezes maior que a violência na vida real. Estar diariamente exposto à superdose de violência não pode fazer bem a ninguém. No mínimo nos tornaremos reféns de um clima de pavor, apoiando medidas extremas para combater um mal com doses muito maiores de remédio do que seria necessário. É por aí, por exemplo, que ainda existe gente defendendo “um pouquinho de censura” para combater quem diz coisas que ela não quer ouvir.
Veja bem vou deixar beeeeeeem claro: não é para negar a informação que você está recebendo. É para assumir o controle sobre o que você fará com ela. Se toooodo mundo está comprando o novo celular que está na moda, você talvez se veja tentado a comprar também. Pode ceder à razão à pressão da maioria, que por sua vez cedeu a uma bem montada campanha de marketing que está a serviço de alguém que no final das contas só quer uma coisa: seu dinheiro. Seu voto. Sua concordância.
É assim que a sociedade funciona, é assim que os meios de comunicação funcionam, é assim que nós funcionamos como seres humanos. E não há porque achar que isso é necessariamente ruim. Ruim é quando você entrega a terceiros o controle de sua vida, quando prefere procurar a lista dos mais vendidos para escolher o livro que vai ler, quando deixa que alguém defina o modelo de camisa ou de sapato que você deve usar. Ruim é quando você deixa de ser curioso, sacou?
Ruim é quando vc perde a capacidade de dizer não
A resposta é não
Tá certo que eu sou uma sonhadora
Sou romântica
Desapegada,
Quase simples agora
Ou você sonha ou não acontece nada
Ou você tem pesadelos
Fazer da vida um pesadelo
É a arte de muitos
Fazer dela um nada,
É a arte da maioria
E fazer dela um sonho
É a arte do artista
E não me venham com sobrevidas
Nem sobredúvidas
Nem sobredívidas
Alguns
.........................
Eu, bato asas
Acasalo, canto
Não venha me dizer
O que eu devo ou não fazer
Porque eu não faço não!
Não venha me falar
O que eu devo ou não cantar
Porque eu não canto não
Não venha me dizer
O que eu devo ou não fazer
Porque eu não faço não!
Não venha me falar
O que eu devo ou não cantar
Porque eu não canto não
Não queira
Que eu quero
O que eu não sinto não
Não
Não sinta
Que eu sinto que não quero
Não queira
Que eu quero
O que eu não sinto não
Minha resposta é não
Minha resposta é não
Minha resposta é não
Então. O Café Brasil vai saindo de mansinho ao som de Renata Arruda com A RESPOSTA É NÃO!, de autoria da própria Renata, que vem lá de João Pessoa na Paraíba e já tem cinco CDs na bagagem... Mas acho que você ainda não tinha ouvido a Renata por aí, não é? Pois é...
Com o atento Lalá Moreira na técnica, a serelepe Ciça Camargo na produção e eu, o filtrante Luciano Pires na direção e apresentação.
Estiveram conosco o ouvinte André Navarro, Beth Lamas, Reginaldo Rossi, The Walkers, Yamandu Costa com Dominguinhos e Renata Arruda.
Este é o Café Brasil, um programa cheio de raciocínios, alguns até perigosos, mas que é ouvido por gente curiosa, que quer se sentir provocada, quer ampliar o repertório, quer formar opiniões, quer tomar conta de si própria. E acredite, no mundo de hoje, gente assim é minoria...
Pra terminar, uma frase do filósofo e matemático britânico Bertrand Russell:
O que é necessário não é a vontade de acreditar, mas o desejo de descobrir, que é justamente o oposto.

Comentários
Lembrei de um livro que li esses tempos, o tema 281 do podcast café brasil se enquadrou, na parte significativa falava-se assim:
"(...) o cérebro do homem é originalmente como um pequeno sótão vazio, que temos de abastecer com a mobília que escolhemos. Um tolo pega todo e qualquer traste velho que encontra pelo caminho, de modo que o conhecimento que poderia lhe ser útil fica de fora por falta de espaço ou, na melhor das hipóteses, acaba misturado com uma porção de outras coisas, o que dificulta o seu possível emprego. Mas o trabalhador de talento é muito cuidadoso a respeito do que coloca no seu sótão-cérebro. Só acolhe as ferramentas que podem ajudá-lo a realizar o seu trabalho, mas dessas ferramentas ele tem uma enorme coleção, e tudo disposto na mais perfeita ordem. É um erro pensar que o pequeno quarto tem paredes elásticas e pode se distender em qualquer dimensão. Acredite, chega uma época em que para cada novo conhecimento é preciso esquecer alguma coisa que se conhecia antes. É da maior importância, portanto, não ter fatos inúteis empurrando para fora os úteis."
É de SIR ARTHUR CONAN DOYLE, criador do célebre Sherlock Holmes, em Um estudo em vermelho.
Exemplo de fato inútil: um livro de Paulo Coelho. Ou um leitor de Paulo Coelho...
Fato útil: CENSURADO
Abraços
Gostaria de me apresentar primeiro. Sou Romulo, tenho 23 anos, moro em Minas Gerais e sou bacharel em ciência da computação e hoje sacrifico algumas horas de trabalho e sono para cursar disciplinas de mestrado em uma universidade federal.
Sobre o episódio "Raciocínios perigosos" tenho um exemplo. Certo dia fui almoçar com o pessoal do trabalho, a TV do restaurante estava ligar e passou uma notícia no jornal sobre manobristas que roubam pequenos objetos e moedas nos carros os clientes. Após a notícia, um dos colegas que trabalho comentou - Pra que as pessoas vão deixar moedas dentro do carro?. Nesse contexto, eu não consegui conter-me e falei - Como eu não posso ter o direito de deixar moedas e objetos no meu próprio carro? E se eu deixar a culpa é minha de alguém roubar?
Isso seria um exemplo de "NÓIS QUI INVERTEMO AS COISA"?
Em relação ao caso da Geisy arruda. Qual o nome vocês dariam ao fato de que no carnaval seguinte, ao acontecimento, o vestido mais vendido em São Paulo, foi o mesmo modelo de vestido usado por ela?
Falando sobre sobre a televisão. Existe uma charge que circulas nas redes sócias que ilustra bem nossa situação: Um homem sentado na poltrona em frente à TV com aparência de zumbi, o controle remoto na mão com uma seta indicando como sendo Vírus e jogados no chão alguns livros com outra seta chamando-os de "Cura"... (não encontrei a imagem agora pra postar)
Obrigado pelo espaço e pelo seu trabalho.
Abraços,
Romulo
Pessoas como essa tem o horizonte muito pequeno, o que a transforma minuscula também, e é isso que eu vejo acontecer cada vez mais... infelizmente.
certo dia postei em uma rede social um assunto que julgava importante sobre a diferença de cultura entre países subdesenvolvidos... ninguem deu bola, depois de um tempo resolvi postar uma coisa completamente diferente e inútil, um desses virais de internet.. foi sucesso vários comentarios... fiz isso justamente pensando em comparar duas coisas a fim de "sacar" qual é o interesse que certas pessoas tem na hora de procurar informação, lamentável.
fico por aqui caro amigo, agradeço ao seu programa que me ajuda sempre a tomar iniciativas e ficar cada vez mais "chato e rabugento" hehehe..
Conheci o seu blog dia 14 de janeiro, dois dias depois do tédio do encarceramento domiciliar, devido a uma fratura na fíbula, causada por uma queda curiosa, que me ocorreu enquanto eu escalava uma rocha na minha cidade em Petrópolis... Não vou entrar nos detalhes do incidente porque sinto vergonha da minha idiotice heróica, tentando escalar um bloco de sete metros de altura sem fazer o uso de equipamentos de segurança, corda, capacetes... Bom uma perna quebrada foi menos pior que podia me acontecer.
Por esse motivo, uma pequena fratura, vou ficar alguns dias afastado do meu trabalho. Então foi ai que resolvi gastar esse tempo com algo construtivo.
Na era do BBB, fica quase impossível assistir TV, fui pra net e me deparei com o Café Brasil. Posso então dizer que você Luciano salvou meus dias de atoleiro, e quando eu voltar as atividades normais do meu cotidiano, espero separar um tempo para cultivar a semente intelectual plantada nesse dias de estaleiro.
A antes que eu me esqueça meu nome é Guilherme luis da costa.
Mas não vim aqui para falar do meu estado e sim para deixar meu comentário sobre podcast da semana. Meu velho, genial! Acredito sim que você possa ter uma visão inteligente do mundo sem ser visto como chato. Saber equilibrar as coisas é o segredo do negócio, identificar o momento pra falar, as pessoas interessadas. Nem sempre é o momento para ser o intelectual, de vez em quando falamos merdas que não tem o menor proveito para o nosso crescimento, apenas para sorrirmos um pouco e descobrirmos que somos humanos e não robôs. Não sou contra ao uso e compartilhamento dos "Memes" engraçados no facebook, até porque muitos além de serem engraçados, até aguçam a sua capacidade de interpretar uma história em quadros reduzidos. Achei que o comentário de Carlos Nascimento tem certa relevância desde que tenha sido direcionado ao meio jornalístico que deu ressonância a tais informações irrelevantes. Mas para nós usuários de redes-sociais, não vejo o menor problema de compartilharmos e rirmos de tal, até porque as redes sociais, com exceção do Linkdin, não tem temas focos para serem abordados. O problema não está nos "Memes" engraçados estarem sendo compartilhados e sim das informações importantes não estarem sendo compartilhadas.
Relevância, Responsabilidade, Reserva e Ressonância. Nunca mais esquecerei dessas quatro palavras. Está é a primeira vez que ouço o postcast, e com certeza não será a última.
Meus parabéns pelo programa e continue aguçando nossa curiosidade. Vlws, fuUiiI!!
O cultivo da individualidade,da capacidade de escolha ejulgamento!
Parabens!
quando ouvi o seu podcast pela primeira vez, o que não faz mais que uma semana, pensei: existe vida inteligente na net.
De lá prá cá, já percorri por vários programas para saciar a sede de curiosidade que você injeta nos ouvintes com muita sapiência.
Sobre a temática dos "raciocínios perigosos" me pus a remexer na minha caixola a respeito de um assassinato que ocorreu na minha cidade esta semana. Um homem, pai de família, matou sua amante. A justificativa que rolou foi que depois do teste de DNA, ele descobriu que a criança, que a amante dizia ser seu filho não era.
Sintindo-se com a honra de homem manchada ele matou a amante e o menino de apenas dois anos e meio. Este fato causou comoção geral na nossa pequena e pacata cidade de Rolim de Moura (Rondônia).
Temos ai de forma desumana mais um fato que corrobora a ideia dos "raciocínios perigosos". A morte de uma mulher de 30 anos, junto com o seu bebê de 2 anos e meio sendo justificada em função da lógica machista.
Em pleno século XXI as mulheres ainda são vistas como propriedade do macho. O cara casado, pai de dois filhos, tem o direito de ter uma amante, mas ela não podia lhe ser infiel.
Se não fosse totalmente trágico, provavelmente, Shakespeare, no século XVI, transformaria esta história numa pela peça de dramaturgia.
A nós, pacatos cidadãos rolimourenses resta apenas a mesma constatação do personagem de "Corração na trevas": o horror!
Acompanho seus podcast há um certo tempo depois de ver o link no site da Livraria Cultura e ao comentar com alguns professores falaram que já tinham ouvido seu programa e gostavam muito.
Uma das coisas mais interessantes do seu programa além dos texto , que são excelentes, são os debates que formam nos comentários.
A forma como você conduziu o texto referente à raciocínio perigoso mostra também a sua reflexão à partir dos comentários e como o 'raciocínio perigoso' está presente.
As diversas interpretações que foram feitas sobre a sua publicação mostra à prova de suas comprovações.
Acredito que à parir de uma história pode-se chegar a diversas interpretações inverossímeis, mas a verdade é única cabe à cada um saber refletir sobre os rês e fazer as cinco perguntinhas.
Abraços.
Sempre fascinante as reflexões do Café Brasil, em! E confesso que não é difícil se ver viciado nos podcasts. Pois temas intelectuais são cada vez mais raros no nosso Brasil.
Acompanho o site a menos de um mês, e aqui sei, de fato, que ficarei ainda mais longe de ser um ''pocotó'' haha!
Tenho algumas opiniões talvez peculiares a respeito de alguns comentários deste podcast:
Realmente temos que nos colocar no lugar dos outros, concordo, é uma forma não só de respeito a todos como um modo de evitar catástrofes. Mas no caso do Rafinha Bastos, por exemplo, eu entendi como uma simples piada, um humor negro. Não deve ser levado TÃO a sério assim!
Um abraço!
Um ótimo dia para você e toda essa equipe fantástica que dá vida a este programa de 1ª categoria em termos de informação e cultura.
Serei breve, espero. Quem sabe não nos topemos na agradável Bauru qualquer dia desses, cidade que não conheço, porém onde tenho amigos que me cobram a visita, e hei de fazê-la.
Bem, primeiramente gostaria de elogiar e evidenciar as felizes considerações trazidas no podcast n. 281 (“Raciocínios Perigosos”). Sabe que ele veio em perfeita sintonia com fenômenos atuais observados a nossa volta, especialmente àqueles que dizem respeito ao culto/adoração ao fútil e ao medíocre. Gosto daquele aforismo grego que sentencia: “estar na media é estar no patamar da mediocridade”. A imagem que ele transmite fala por si só.
Faço essa observação tendo em vista, por exemplo, situações, digamos, um tanto quanto esdrúxulas e descabidas fomentadas pelos meios de comunicação. Situações nas quais “Luizas”, “drinks”, modismos de novelas, enfim, matérias desprovidas de um real valor e sentido ganham vida, formando uma cadeia viral em conversas insossas do cotidiano dos cidadãos (algo como “já que não temos o que falar, já que não exploramos as fontes interessantes disponíveis na internet para refinar nosso conhecimento, por exemplo, mastiguemos os “trend topics”, para aparentarmos estar a par do que se passa. Outro perigo essa questão do “ser” versus “parecer”).
Trata-se de um cenário lamentável, no qual “os últimos acontecimentos” do Big Brother ditam a pauta das discussões, rebaixando o nível da criticidade. Tal fato acarreta em um círculo vicioso de “voyeurs”, cidadãos que em vez de agirem, ficam na espreita, passivamente, aguardando qualquer caso acontecer (seja no Canadá, seja no Brasil, onde quer que seja, afinal) a fim de terem o status de “primeiro”. O primeiro a comentar, a postar, a compartilhar... Já reparou que, de uns tempos para cá, as conversas, não raro, se resumem ao mesmo ponto, os e-mails se repetem à exaustão, aquilo que se “curte” é igual? Rumo à pasteurização, homogeneização do homem. Perigo novamente!
Ora, nesse sentido, parece-me que a “teoria dos 4 rês” é uma ferramenta essencial para lidar com e filtrar certos absurdos que pairam pelos ares. Fica a sensação de que o homem parou de evoluir, cada qual à sua maneira.
Por fim, aproveito para registrar minha felicidade em saber que os roteiros (e assim as trilhas sonoras, as citações, os textos) dos podcasts estarão disponíveis para consulta por meio do DLOG Café Brasil. Tal mecanismo surge como um complemento chave para elevar o cafezinho ao posto de iguaria divina, que trato de oferecer a meus amigos, na certeza de estar divulgando doses de sabedoria.
De cafezinho em cafezinho nos tornaremos cidadãos, senão mais pensantes, oxalá um pouquinho mais alertas e cientes daquilo que realmente importa para amadurecermos com inteligência.
Abraços,
Guilherme
primeiro gostaria de me desculpar pois acompanho esse podcast já a algum tempo e até hoje nunca comentei um podcast... E desde que comecei a acompanha-los sou levado constantemente a uma auto-avaliação sobre minhas motivações e escolhas e como isso influencia meus dias vindouros, confesso que é bem difícil especialmente quando tudo o que meu "velho homem" quer é ser mais um inerte levado "por todo vento de doutrina". Bom Luciano, levado por essas auto-avaliações que já geraram tantas caimbras cerebrais em mim ando disseminando essas "informações" com algumas pessoas do meu circulo de convívio especialmente com uma amiga que fica louca toda vez que lanço essas iscas que fazem ela pensar e é por ela que decidir romper com meu comodismo e assumir a responsabilidade das informações que levo até ela que faço esse comentário pois gostaria muito de presenteá-la com o livro "Nois que invertemo as coisa" pois sei que isso contribuirá muito para o desenvolvimento de uma nova mentalidade que ao invés da passividade assuma sua real natureza e através disso ela também possa contaminar outros "pocotos" com esse vírus causador de tanta caimbra cerebral...
abraço Luciano! que papai do céu renove suas forças a cada dia para levar esse grande trabalho a diante...
Fernando Sousa - Rio de Janeiro - RJ
"Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses." (frase escrita num templo a Apolo recolhida por Sócrates). A meu ver é o princípio de tudo. Mergulhar no íntimo de si. A verificação dos aspectos que desejo mudar ou conservar. Mais ou menos definido isso , verei que informações vão acrescentar nesse meu melhoramento, o que for só encher o armário mental, como foi dito, vou descartar.
O que uma notícia dizendo que um caminhão no Zimbabue tombou e feriu 20 pessoas vai me acrescentar ? O que vai melhorar minha vida se fulano ficou com sicrano no BBB? Até e principalmente nos nossos momentos de diversão e entretenimento é preciso escolher o que se ver e fazer. A mente vai arquivando na sua pasta Histórico tudo o que vemos, fazemos, falamos e pensamos. E prá apagá-los não é tão simples como do HD.
Isso é um treinamento diário. Com o tempo vai-se pescando as informações por detrás das informações.
Já foi dito que o que move o mundo são as perguntas, os questionamentos. E como é difícil fazer as pessoas pensarem. Tudo está no automático. Parece que as pessoas vão prá frente de uma Tv ou de um computador e ficam anestesiadas, lembram a doentes sentados com soro na veia e de boca aberta. Estudantes Ctrl C Ctrl V, as pessoas tomam como verdades absolutas textos de escassas linhas da Internet e não buscam se aprofundar no assunto.
Se não for feita uma diálise informativa diariamente isso pode matar. De inanição mental que leva à depressão.
Mas há saída. Comece divulgando os textos do Luciano prá seus conhecidos.
Vamos acordar os Zumbis.
mais uma vez um podcast determinante. Tive (com prazer, é claro) que ouvir mais de uma vez. E nessa de ouvir de novo acabei tendo um insight interessante: seus podcasts são como se fossem um audiolivro!
Explico melhor: tenho uma pilha de livros pra ler que não estou dando conta. E o conteúdo do podcast Café Brasil é como se fosse o conteúdo de um livro, capítulo a capítulo. Me senti com a consciência um pouco mais tranquila em relação à minha pilha de livros não lidas.
Parabéns e vida longa ao cast!
Abraços.
Estava eu naquela van quando vi um senhor sentado com uma das pernas esticada, percebi que havia uma deformação em seu joelho e ele foi logo me explicando que havia sofrido um acidente de bicicleta após ter passado o dia bebendo e ao retornar pra sua casa na bicicleta foi atropelado por um carro, quando acordou já estava no hospital, ele concluiu que nunca mais iria andar de bicicleta novamente porque é muito perigosa ! Se não fosse trágico seria até engraçado.
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